Dubai Emirados Árabes
A costa sudoeste do Golfo da Arábia foi freqüentada por
comerciantes desde 3000 anos a.C, devido a sua proximidade a
Mesopotâmia, local presumido do berço da civilização moderna. O abrigo
proporcionado pelo “Creek” (uma entrada do mar que corta a cidade de
Dubai) certamente foi aproveitado pelos comerciantes antes de passar
pelo Estreito de Hormuz e entrar no mar aberto do Oceano Índico... e
também pelos piratas que infestaram a região a ponto de ganhar o apelido
“Costa dos Piratas”.
A colonização de Dubai começou em 1833 quando uma tribo
de beduínos se deslocou de um oásis no interior para o litoral e se
dividiu em duas partes, a maior indo para Abu Dhabi e a menor indo
basear-se ao lado do “Creek” em Bur Dubai.
Durante o restante do séc. XIX, Bur Dubai não passou de
um vilarejo de pescadores, mergulhadores de perolas e comerciantes
beduínos, indianos e persas. Em 1892, os ingleses fizeram acordos com os
sheikhs da região, levando ao título semi-oficial de “Trucial States”.
Sheikh Maktoum de Dubai logo demonstrou o agora-lendário tino comercial
de sua família oferecendo isenção de impostos para comerciantes que se
basearam por lá; assim nasceu a Zona Franca de Dubai. Na virada do
século, o vilarejo havia se tornado uma cidade de 10.000 habitantes.
O colapso da indústria de pérolas em 1929 iniciou uma
fase de declínio que somente foi revertida quando Sheikh Rashid
substituiu seu pai em 1939 e dedicou-se a aumentar a importância de
Dubai como principal centro comercial da região.
O petróleo foi descoberto em 1966 e a exportação
começou em 1969. Em 1971, os sete emirados até então conhecidos como
“Trucial States” formalizaram uma federação e adotaram o título
“Emirados Árabes Unidos”. O resto é historia!
À medida que Dubai segue em frente com forca total na
sua audaciosa aventura para construir a torre mais alta do mundo, a
altura exata da estrutura final ainda é um segredo bem guardado. A
maioria das previsões fixam a altura final em cerca de 810 metros de
altura – substancialmente maior do que os atuais 509 metros da torre
101, em Taipei, e o design está sendo feito de uma maneira que, até
certo ponto, eles podem continuar acrescentando andares caso seja
necessário.
Projetado pelos arquitetos Skidmore, Owings e Merrill,
de Chicago, o Burj Dubai compreende três seções fixadas ao redor de um
núcleo central. O desenho em espiral se afina a medida que o prédio
cresce, culminando em uma agulha que penetra os céus e que abrigará
equipamento de comunicação. No interior, o Armani Hotel, 700
apartamentos particulares e escritórios. Haverá piscinas (incluindo uma
ao ar livre no 78º andar – pasmem) e um mirante no 124º andar.
Para descobrir como se constrói o maior prédio do mundo
em cima de areia (existe uma parábola sobre isso, não é?) Time Out
colocou um capacete de construção e visitou o local de construção com
Greg Sang, Diretor Assistente de Projeto, da Emaar. “Bem, para começar
não é correto dizer que o prédio está construído sobre areia”, diz ele.
“A camada de areia tem apenas cerca de um metro de profundidade e
debaixo dessa camada há arenito”. A fundação nessa camada dura é
surpreendente - 200 estacas são enterradas a uma profundidade de 50
metros e amarradas por uma laje de concreto armado com 3.7 metros de
espessura, o que sustenta a super-estrutura. Isso é muito concreto. Na
verdade, de acordo com os cientistas pesquisadores da Emaar, é o
equivalente ao peso de 100.000 elefantes.
Construir a torre mais alta do mundo é um negócio
potencialmente arriscado, mas Greg afirma que o Burj estará pronto para
a pior das eventualidades. “Pensamos em tudo o que se pode imaginar”,
diz Greg. “Nossos melhores projetistas, engenheiros de estrutura e
arquitetos são de Chicago e estavam envolvidos em muitos dos estudos pós
Set 11, então eles estão bastante informados quando se trata de uma
evacuação. Na verdade, nós incorporamos muitas coisas que foram
incluídas nos relatórios que saíram pós 11 de setembro ao desenho do
prédio. Consideramos vários cenários diferentes. Foi projetado para
durar pelo menos 100 anos e muitas coisas podem acontecer em 100 anos”.
Isso é verdade. Uma coisa que pode acontecer mais cedo
ou mais tarde é que alguém talvez construa uma torre mais alta. O Kuwait
e Bahrain já fizeram anúncios especulativos dizendo que eles pretendem
superar o marco místico de 1.000 metros. O torre do Dubai Waterfront, de
uma outra construtora, terá pelo menos 700 metros de altura e
provavelmente será substancialmente mais alto. Isso seria um desastre
para a Emaar? “Falar é fácil”, retruca Greg, confiantemente. “Nós somos
os únicos que inovaram e começaram o projeto. Eu não tenho dúvidas de
que em algum momento alguém vai aparecer e construir algo mais alto do
que o Burj, mas por enquanto, nós iremos terminar e ter o título do
prédio mais alto do mundo por vários anos”. Então está resolvido. A
torre mais alta do mundo – a maior edificação da história, de acordo com
o letreiro apocalíptico preocupante na beira do local de construção,
aqui em Dubai.
Para que não esqueçamos, Burj Dubai é apenas a peça
central desse impressionante Downtown Project. Esse projeto de
construção de 67km quadrados, inclui o maior shopping center do mundo,
um centro de negócios, os apartamentos e canais da ‘cidade velha’. A
contrutora Emaar promete um estilo de vida 24 horas e um burburinho no
centro que é páreo para aquelas cidades antigas que se chamam Nova
Iorque e Londres, porém, presumidamente uma versão limpa sem os ônibus
da noite, traficantes e patrulhas da polícia. Quem sabe como vai ficar
na análise final, mas vai ser deslumbrante proporcionalmente, muito caro
e diferente de qualquer outra coisa no planeta. Bem ao estilo Dubai, na
verdade.
Burj Dubai terá pelo menos 800 metros de altura. A
ponta da agulha será visível a 60 milhas de distância. O projeto inteiro
irá custar US$21 bilhões. Burj Dubai terá o elevador mais rápido do
mundo – 40 mph de embrulhar o estômago. O sistema de água da torre
fornecerá uma média de 946.000 litros por dia. A água da condensação que
se formará do lado externo da torre será coletada e usada no paisagismo.
Se fossem deitadas lado a lado, as barras de aço usadas no reforço da
construção se estenderiam um quarto do caminho ao redor do mundo.
Dubai quer 15 milhões de visitantes por ano até 2010. A
grande pergunta não é apenas como atraí-los, mas o que eles irão fazer
uma vez que aterrisarem. Os desenvolvedores acham que têm a resposta. No
meio do deserto eles estão construindo um parque temático sem comparação
no planeta. Bem-vindos a Dubailand.
A foto do folheto lustroso que faz propaganda de
Dubailand revela o que está por trás da ambição extraordinária de Dubai.
Coloque os EAU (Emirados Árabes Unidos) no centro de um mapa e faça um
círculo ao redor dele que englobe os destinos para os quais você pode
voar em seis horas: a área resultante inclui o norte da África (quatro
horas), o subcontinente Asiático (três), a Ásia Central (seis), e a
Europa (seis). Isso é muita gente e muitos clientes potenciais para
Dubai PLC. Mas o que farão ao chegarem, além de tomar banho de sol e
fazer compras? Resposta: visitarão um parque temático gigante no meio do
deserto, projetado para fazer com que os 15 milhões de visitantes anuais
que Dubai espera atrair até 2010 voltem, querendo mais. Eles com certeza
irão precisar fazer algumas visitas para vê-lo todo.
Eventualmente, Dubailand irá cobrir 9.144km quadrados
e, nas palavras do folheto, irá conter ‘cinco mundos deslumbrantes: uma
oportunidade impressionante’.
Attraction Worlds (Mundos de Atrações) custará US$ 2.5
bilhões e oferecerá parques temáticos, parques aquáticos e outras
atrações para a família. Alguns destaques incluirão Dubai Sunny Mountain
Ski Dome (Parque de neve Montanha Ensolarada, coberto por um cúpula),
como se não fosse o bastante; várias montanhas-russas e atrações de dar
medo; e a coisa mais preferida no mundo pela Time Out, Falcon City of
Wonders (Cidade Falcão das Maravilhas). Este projeto com esse nome
glorioso inclui réplicas de cinco maravilhas do mundo, mais o Hotel
Torre Eiffel e as Pirâmides – completos com estacionamento no local.
Há rumores de que Dubai irá usar o Sports and Outdoor
World (Mundo dos Esportes e Atividades ao Ar Livre) para lançar a sua
campanha para sediar as Olimpíadas de 2020. O clima provavelmente será o
maior obstáculo impedindo que eles levem a tocha, mas as datas já foram
mudadas antes e Dubai certamente terá as instalações: quatro estádios de
tamanho gigante, mais quatro campos de golfe, três campos de pólo e um
centro para esportes radicais são todos partes da zona de US$ 1.1
bilhões.
A criação do Ecotourism World (Mundo do Ecoturismo) é
ligeiramente irônico, visto que Dubailand irá achatar 9,144km quadrados
de deserto intocado, mas mesmo assim, espera-se que o museu interativo
de ciência, parque safári e vegetação desértica sejam tanto educativos
quanto divertidos.
Apesar de que se supõe que haverá algum debate a
respeito da ética de se manter animais que não são nativos num ambiente
tão extremo, espera-se que isso pelo menos leve ao fechamento do Dubai
Zoo. No topo da lista das apostas bizarras (com a exceção de Falcon
City) está Tropical Village (Aldeia Tropical), que contém ‘uma floresta
úmida com diferentes espécies únicas, árvores, praias de areia, lagoas e
cascatas’. Exatamente como Dubai irá criar ‘diferentes espécies únicas’
está além do que sabemos, mas estamos torcendo para que algum cientista
maluco junte o DNA de um sapo com um cavalo, e crie um sapo-cavalo.
O Leisure and Vacation World (Mundo do Lazer e Férias)
parece ser um pouco mais realista. Spas e tratamentos holísticos irão
compor a série de spa resorts temáticos, incluindo o Thai Express Resort
(Resort Tailandês Expresso) – sem comentários – o Indian Theme Resort
(Resort Temático Indiano) e o Nubian Valley (Vale Núbio), que é modelado
na antiga civilização rural egípcia.
Por último, mas de jeito nenhum menos importante,
Downtown Retail & Entertainment World (Mundo do Varejo e Entretenimento
no Centro) oferece outro projeto preferido pela Time Out: Restless
Planet (Planeta Inquieto) – uma atração ao estilo Parque Jurássico
caracterizado por ‘réplicas animadas de dinossauros num ambiente
realista’. ‘Você pode se perguntar se a possibilidade de se usar
dinossauros reais não foi proposta em algum momento da fase de
planejamento. Mall of Arabia (Shopping Center da Arábia) será outra
proeza do tipo ‘maior do mundo’ realizada por Dubai, levando o prêmio
por ser o maior shopping center no planeta. O projeto de 1,615 km.
quadrados também terá um complexo de restaurantes, Teen World (Mundo dos
Adolescentes) – provavelmente cheio de adolescentes fingindo estar
entediados – e um Virtual Games World (Mundo dos Jogos Virtuais),
presumidamente repleto de nerds de computador. Bem abençoados são os
mansos esquisitos no Retail World (Mundo do Varejo).
Muitos projetos na cidade têm o rótulo clichê
‘uma-cidade-dentro-de-outra’, mas tendo visto o mero tamanho físico de
Dubailand, o rótulo se aplica, sim. Contudo, o desenvolvimento ocorrerá
em fases, apesar de que espera-se que tudo esteja bastante completo em
algum momento entre 2015 e 2018, com o acréscimo de outros projetos ao
longo do percurso.
Estima-se que o projeto custe cerca de US$ 21 bilhões.
Ele terá duas vezes o tamanho do Walt Disney World Resort. Os planos
originais foram aumentados em 50% depois da reação favorável do setor
privado. A Great Dubai Wheel (Roda Gigante de Dubai) – a resposta da
cidade ao London Eye (Roda Gigante de Londres) – será a maior roda de
observação do mundo. Os rumores de que Dubailand terá a temperatura ao
ar livre regulada, graças a um ar-condicionado de umidade, ainda não
foram confirmados.